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Bem menos Carmo - Cópia

 

O Pastor Pitbull e o fair play

 

Neco Pitbull era um truculento técnico do interior mineiro.  Ex zagueiro dos times de várzea locais, era daqueles que mordiam até na própria sombra, o que, aliás, lhe rendeu o apelido.

Depois que virou treinador seguiu a mesma linha e exigia dos seus jogadores jogo pegado, com marcação forte e entradas duras.

Seu slogan era: “a bola e o adversário juntos não podem passar! Um dos dois tem que ficar!

Só que, após entrar para a igreja e se tornar o Pastor Manoel, mudou completamente de postura.

Agora, em suas preleções, misturava instruções táticas com orações e preces  e  exaltava a necessidade do fair play e o respeito aos “irmãos” de profissão.

Foi assim que seu time chegou à decisão. E o título parecia barbada. Além de jogar em casa, a equipe do pastor tinha uma grande vantagem: podia perder até por dois gols de diferença que ainda assim seria a campeã.

Tranqüilo à beira do gramado, suas instruções pareciam refletir o novo comportamento: num contra ataque adversário, ao ver que seu zagueirão de 1,90m partia com cara de poucos amigos contra o atacante, grita:

– Na bola, só na bola, sem falta!

Pronto! O avante se livra do limitado beque e estufa as redes: 1x 0. Reduzida a diferença.

Já no segundo tempo, em nova investida do ataque rival, o ponta direita  fica no mano a mano com o seu lateral. O técnico pastor, pregando literalmente o fair play, mais uma vez orienta em tom paternal:

– Sem falta, rouba a bola meu filho, jogo limpo e na paz!

O ponta, então, passa com facilidade pelo marcador e faz 2 x 0.

A torcida entra em desespero.  Mais um gol dos visitantes seria o desastre.

O final fica dramático para o time do Pastor.

E o pior estava por vir: no último lance do jogo, quando o juiz já se preparava para encerrar a partida, o arisco pontinha adversário mais uma vez avança velozmente pela direita, finta o lateral e parte em direção ao gol. Tragédia à vista.

O atabalhoado beque central  sai na cobertura.  Aí o técnico “Pastor”, destemperado e prevendo a catástrofe, incorpora o Pitbull dos velhos tempos, esquece o fair play e, endemoniado, esbraveja:

– Chega junto! Pega! Mata a jogada!

Desce o sarrafo pelo AMOR DE DEUS! Senão a gente perde a desgraça desse título!!!