Victor
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Gabiroba, o mentiroso

 

Gabiroba  foi o maior mentiroso que já apareceu lá pelas bandas da fazenda Catauá, onde nasci.

Ele era realmente o maior contador de lorotas das redondezas.  Quando   aparecia, todos logo diziam: – lá vem alguma por aí!

Como bom mentiroso ele também gostava de pescar e caçar, o que tornava as caçadas e pescarias as suas principais fontes de mentiras.

Gabiroba, entre uma pitada e outra no inseparável cigarro de palha, costumava contar que, certa vez, voltava de uma caçada, quando se deparou com um tatu gigante, quase do tamanho de um bezerro. O maior tatu já visto por ali.

Tabajara, o seu cavalo, assustado, empacou, e Faísca, o seu fiel cachorro e companheiro de caça, impressionado com o tamanho do bicho, fugiu. Mas ele não se assustou, mirou a cartucheira e atirou.

Entretanto, como ele estava muito nervoso não acertou o tiro direito, o que  jamais tinha acontecido com ele.   O tatu gigante, com uma das pernas ferida entrou em um buraco, num barranco próximo.   Ele tentou puxá-lo pelo rabo, mas quanto mais força fazia para fora mais o tatu cavava buraco adentro.

Não queria perder a caça, mas precisava de alguma coisa para tirar o bicho da toca.  Mas, se soltasse o rabo da presa ela cavava o restante do buraco e sumia.  Então teve uma ideia:  amarrou o cabresto do cavalo no rabo do tatu e saiu para buscar uma enxada.

Ao retornar com a ferramenta, um grande tumulto tinha se formado no lugar.

O tatu tinha puxado meio corpo do cavalo pra dentro do buraco.

Êta cabra mentiroso!

Victor Kingma

Do Livro O Esteio de Braúna.

Quadro: caipira picando fumo de Almeida Junior