Victor
Kingma
header
header
Facebook
Visitante nº: 61270
< Voltar

Segura peão!

Causos da bola

Invictos na competição e com campanhas muito pSegura Peãoarelhas, Igrejinha e Berro Alto, os dois principais times daquelas vizinhas cidades,  chegaram à decisão do título em duas partidas ,  de ida e volta.

No primeiro jogo, em seu estádio, o “Berrantão”, o Berro Alto  fez prevalecer  o mando de campo e acabou vencendo por 1 x 0.

Assim,  num clima de grande expectativa, as duas cidades pararam naquele domingo, dia da segunda e decisiva partida do tira-teima. As inflamadas torcidas lotaram o pequeno estádio do Igrejinha F.C, palco da grande decisão.  O time local, agora jogando em casa, prometia a desforra.

Quando  o juiz apita e a bola rola, a famosa charanga do Padre Neto, chefe da torcida do time local,  faz o maior barulho para animar a sua equipe, que logo parte para o ataque.

A torcida do Berro Alto não deixa por menos. Formada na sua maioria por boiadeiros, pois a pecuária era a principal atividade de sua cidade, e comandada por “Zécauboy”   famoso peão e vaqueiro do lugar, ensurdece o estádio com seus possantes berrantes, sempre que os adversários  pegavam na bola.

A partida, muito truncada, vai se arrastando. Embora o  Igrejinha, estivesse sempre melhor, seus atacantes não conseguem aproveitar as poucas chances de gol que aparecem, talvez, desconcentrados pelo som agudo e infernal dos instrumentos feitos de chifres de bois. O  Berro Alto vai segurando o empate em  0 x 0 , o que lhe daria o título.

O jogo já estava quase no fim, quando o veloz  ponteiro  Carreirinha, do Igrejinha,  recebe uma bola  na  direita.  O corisco avante local passa como uma flecha por dois marcadores e, ignorando o “berrantaço”,  parte  decisivo em direção à meta adversária.  O último zagueiro vem na cobertura e também é fintado.

A charanga do Padre Neto se anima e os torcedores do Igrejinha se levantam. Os boiadeiros  ficam apreensivos…

De repente, Carreirinha, que já se preparava para marcar o gol da vitória  e  levar  a decisão para os pênaltis, se depara com um inesperado marcador:  “Zécauboy”, a essa altura já à beira do gramado, joga o berrante pro alto, pega o seu inseparável laço na cintura e, da lateral do campo, com a precisão usada para prender uma novilha desgarrada, consegue laçar o veloz  pontinha, na entrada da área.

Enquanto Carreirinha, desesperado, tenta se livrar das amarras, a torcida do Berro Alto grita  eufórica:

Seguuura peão!

Ágil, o goleiro sai do gol e faz a defesa.

Após  muita confusão e protestos,  “Zécauboy”  sai  preso do  estádio    e a partida é reiniciada.

Nos minutos restantes, os visitantes seguram o empate e se sagram campeões.  A festa pela comemoração do título entra pela  madrugada. Nunca se ouviu tantos berrantes tocando por aquelas bandas.

O  providencial laço do “Zécauboy” até hoje está guardado como relíquia, na sala de troféus do Berro Alto, ao lado da taça de campeão.  O herói da conquista, o bravo peão boiadeiro, entretanto,  nunca mais pode frequentar a Igrejinha local, como fazia regularmente, excomungado que foi pelo vigário torcedor.