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PELÉ  E  COUTINHO  OU  COUTINHO E PELÉ?

 

 

Histórias do futebol

Pelecoutinho

Nos tempos daquele timaço do Santos, Pelé  fazia uma dupla infernal com Coutinho que, além da semelhança física com rei,  também tinha muita técnica, habilidade e faro de gol. A dupla ficou famosa  pelas celebres tabelinhas entre eles.  Só que o companheiro de ataque de Pele, às vezes passava por situações injustas.

Certa vez, num jogo noturno na Vila Belmiro e com muita neblina, Pelé não estava bem, coisa rara de acontecer.   Numa jogada  no ataque santista,  ele tenta tabelar com Coutinho e dá uma engrossada. O companheiro, entretanto, recupera a bola, finta o zagueiro e  toca para o gol.

Na cabine o locutor após narrar o lance, comenta:

– Coutinho falhou na tabela, mas rei é sempre rei.  Recuperou a jogada, entortou o adversário e estufou as redes. Santos 1 x 0.

Logo a seguir outro lance: Coutinho faz linda jogada individual,  se  livra do goleiro e toca para o gol vazio. Mais uma vez o narrador, encoberto pela neblina, após o longo grito de GOOOOOOOLLLLLLL do Santos, descreve o lance:

Pelé, Pelé! Sempre Pelé!.  Até quando seu companheiro de ataque não está bem ele resolve sozinho.

Algumas dessas  histórias são confirmadas pelo próprio Coutinho, que admitia, em alguns casos, ficar chateado.
Certa ocasião, devido a uma contusão no pulso, atuou algumas partidas com uma atadura no local. Mas, como o futebol é feito de lendas, logo apressaram em dizer que ele estava usando a faixa  para diferencia-lo do parceiro famoso e assim se livrar das injustiças.

Antonio Wilson Honório, o grande Coutinho, o maior parceiro de Pelé, estreou no time do Santos em 1958, aos 15 anos, substituindo o lendário Pagão. Atuou pela equipe da Vila Belmiro por 12 anos e em 457 partidas  fez 370 gols.

Com sua incrível frieza diante do goleiro entrou para a história do futebol como  um dos maiores gênios da pequena área.

Victor Kingma