Victor
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 Paulo Borges, Gentil Cardoso e a jogada manjada

 

Histórias do futebol

Ataquebangu65

Tantas  histórias são contadas sobre personagens marcantes do futebol. Essa, dizem, aconteceu no campeonato carioca, nos meados dos anos 60, e  envolveu dois desses personagens.  O Bangu, que estava montando aquele timaço que acabaria como campeão em 1966, enfrentaria o Flamengo no Maracanã, em dia de muita chuva.  No vestiário, Gentil Cardoso, então  técnico do time,  dava as últimas instruções  minutos antes da partida:

– Conforme treinamos, quero o time jogando no contra-ataque, explorando a velocidade do Paulo Borges, pois o Flamengo, incentivado pela torcida, virá todo pra cima da gente.

Assim, quando eles atacarem  pela esquerda,  o Fidélis, sempre que roubar a bola, toca para o Ocimar.  Aí você, Ocimar, lança em profundidade  para o Paulo Borges, na direita, que entra em diagonal e arremata para o gol.  E prossegue:

– Se o ataque vier pela direita, o Ari Clemente faz a mesma coisa:  toma a bola e  entrega para o Ocimar, que lança para o Paulo Borges.  Você, Paulo,   entra em velocidade pelo meio da área  e fuzila o goleiro Valdomiro.

E o folclórico treinador prosseguia traçando a estratégia mortal daquele  grande time  de Moça Bonita:

– Quando o Flamengo atacar  pelo meio, a mesma jogada: o Jaime rouba a bola, toca para o Ocimar, que lança  para o Paulo Borges…

Mas antes do técnico completar a instrução, o veloz e sorridente ponteiro banguense,  a sensação do campeonato, intervém:

– Professor, não dá pro Ocimar virar o jogo e lançar essa pro Aladim lá na ponta esquerda?

– Por que meu craque?

– Nessa altura do jogo a defesa do Flamengo já manjou esta jogada  e, com o campo molhado, o Ditão vai dar um carrinho e me jogar lá no fosso da geral…  E o meu joelho está meio baleado, chefe!

Victor Kingma

 

Foto: Gentil Cardoso dá instruções para uma das formações do ataque banguense em 1965: Paulo Borges, Parada, Araras, Roberto Pinto e Canhoto. Posteriormente, no time que seria campeão em 1966,  entrariam no time Cabralzinho, Bianchini e Aladim.