Victor
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Os bondes de Juiz de Fora

Naquele tempo era assim…

Bondes de Juiz de ForaPor mais de seis décadas a paisagem  de Juiz de Fora  se misturava com os tradicionais bondes elétricos que circulavam pelas suas ruas. Foi a primeira cidade de Minas Gerais a utilizar esse inusitado meio de transporte e, talvez, aquela que atendeu a uma maior parcela da população no Brasil, pois os bondes atendiam praticamente a quase todos os seus bairros.

Os primeiros bondes elétricos começaram a circular em Juiz de Fora no início do século passado, em 1906, através de um sistema da Cia Mineira de Eletricidade. A partir de então, novos bondes foram adquiridos e. na metade da década de 20, após a construção de uma nova ponte sobre o Rio Paraibuna, as linhas puderam se expandir e atender aos bairros mais distantes do centro da cidade.

Várias gerações puderam desfrutar da praticidade dos bondes. Seja para se locomover para o trabalho, escola, ou mesmo nos passeios dominicais. Era muito comum naqueles tempos as famílias das cidades vizinhas, após efetuarem suas compras nas tradicionais casas do comércio local  como Pernambucanas ou Delmonte, antes do retorno para suas cidades levarem as crianças para dar uma volta nos bondes.   Seja pelas linhas São Mateus, Altos dos Passos, Mariano Procópio ou Santa Terezinha.

Todos que vivenciaram aqueles tempos devem se lembrar, com nostalgia, das figuras marcantes do condutor, do motorneiro e também das tradicionais propagandas estampadas nos bondes, como:

“Veja, ilustre passageiro,
o belo tipo faceiro
que o senhor tem a seu lado.
E  no entanto acredite,
quase morreu de bronquite,
salvou-o o Rhum Creosotado!”

Com a implantação da indústria automobilística brasileira, no final dos anos 50, e o crescente número de veículos nas ruas, os bondes foram perdendo seu espaço. O último bonde de Juiz de Fora, da linha São Mateus, foi recolhido pelo Departamento Autônomo da Prefeitura, em 1969, e eu, como outros amigos do bairro, onde morava na época, tive o privilégio de ser passageiro da última viagem desse fantástico meio de transporte, de tantas e inesquecíveis lembranças.

Victor Kingma