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A época dos festivais

Naquele tempo era assim…

Jair_EliasNos meados dos anos 60, o Brasil viveu dois períodos distintos de sua história.  Se na política, nos chamados “anos de chumbo”, vivíamos um período de opressão, quando a ditadura militar impedia os jovens de   manifestarem suas opiniões, na música, o país passou por uma das fases mais ricas em termos de criação e surgimento de novos talentos.  Era o tempo dos festivais. E alguns acontecimentos foram marcantes nessa época de ouro da nossa música.

Em 1965, na extinta TV Excelsior, no Rio de Janeiro, interpretando Arrastão, a música vencedora, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, surgiria uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos: Elis Regina.

No ano seguinte, no festival da TV Record, em São Paulo, aconteceu a mais empolgante das disputas.  Duas músicas dividiram a preferência da crítica e do grande público: A Banda, de Chico Buarque, interpretada por Nara Leão, a musa da Bossa Nova; e Disparada, de Geraldo Vandré e Théo de Barros, na interpretação que marcaria para sempre a carreira do cantor Jair Rodrigues.

O júri, atendendo ao público dividido, acabou considerando as duas músicas vencedoras.

Em 1968, um dos anos mais duros da ditadura militar, a canção de protesto contra o regime: “Pra não dizer que não falei de flores”, de Geraldo Vandré, interpretada pelo próprio autor, apesar de ser disparada a preferida do público, foi preterida pelo júri do Festival Internacional da Canção, da TV Globo. Os jurados, muitos afirmam que por influência política, deram o prêmio para a canção Sabiá, de Antônio Carlos Jobim e Chico Buarque, cantada pelas irmãs Cynara e Cybele.

Posteriormente, a música de Geraldo Vandré foi censurada pela ditadura, sendo proibida a sua execução nas rádios e televisões. O autor foi exilado, passando um longo período fora do Brasil. Entretanto, a atitude autoritária não surgiu o efeito desejado e a canção passaria a ser o hino de protesto contra a ditadura militar, com seu forte refrão:

“Vem, vamos embora, que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.”

Recentemente, várias tentativas foram feitas para reativar os festivais, mas todas fracassaram.  Sempre faltou o brilho e empolgação de outrora.

Todos aqueles que gostam da música popular brasileira e que vivenciaram aquela fase de ouro, guardam, com saudades, as lembranças daquele tempo mágico, o tempo dos festivais.

Victor Kingma

 Foto:  Jair Rodrigues e Elis Regina. dois expoentes dos festivais daquela época.