Victor
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.: Meus escritos

Como era a vida e os costumes em 1970, um ano marcante

Naquele tempo era assim…

Irmãos coragem

Frequentemente tenho abordado aqui na página  acontecimentos importantes ocorridos em determinado ano ou época. É uma recordação para quem viveu naquele tempo, assim como uma fonte de informação para os mais jovens.

Nesse texto  estarei relembrando fatos relevantes que aconteceram em 1970.  Um resumo de como era a vida e os costumes num ano tão marcante.

No futebol, a seleção brasileira, com craques consagrados como Rivelino, Gerson, Jairzinho, Tostão e Pelé encantava o mundo com uma equipe mágica e se tornava tri campeã mundial de futebol, no México. Nas ruas o povo, eufórico, cantava a música ufanista de Miguel Gustavo:

“Noventa milhões em ação,

Pra frente Brasil

Salve a seleção!”

Contrastando com a alegria do futebol, na política o Brasil vivia um período difícil.  A ditadura militar, implantada no Brasil com a revolução de 1964, impedia os brasileiros de se manifestarem. Aqueles que discordavam do regime de exceção e do governo do então presidente Emílio Garrastazu Médice eram perseguidos ou exilados.

Na música, a Jovem Guarda estava quase no fim e Roberto Carlos, sua maior expressão, iniciava uma nova etapa em sua carreira, fazendo grande sucesso com a canção Jesus Cristo, a primeira musica religiosa gravada por ele – e que passaria a ser uma constante em seus discos. O ano ficou marcado ainda por ter ocorrido o fim dos Beatles, o quarteto inglês formado por John, Paul, George e Ringo e que se tornou o maior fenômeno musical de tempos os tempos.

Na televisão o grande sucesso era a novela Irmãos Coragem (foto). O Brasil parava às oito horas da noite para assistir na TV Globo, e ainda em preto e branco, o folhetim de Janete Clair que contava a saga dos irmãos João, Duda e Jerônimo, interpretados respectivamente por Tarcísio Meira, Cláudio Marzo e Cláudio Cavalcante.

O filme Love Story levava multidões aos cinemas para assistir a história do amor proibido de dois jovens de classes sociais diferentes e…

Nas ruas e nos bailes de fim de semana, os jovens, um tanto alienados em relação à política, e influenciados pela cultura que vinha de fora, trajavam calças boca-de-sino, sapatos plataforma e cabelos tipo Black-Power.

Naquele tempo era assim…

Victor Kingma  

As doenças da minha  infância

Naquele tempo era assim…

Brincadeiras de outrora

Outro dia estava lendo o artigo de um pediatra que mostrava a sua preocupação com o aumento alarmante do índice de obesidade na infância e adolescência nas últimas décadas, conseqüência da inatividade física.

O médico demonstrava ainda a sua apreensão com o aparecimento precoce de várias doenças, como hipertensão e stress, oriundas da era  dos computadores, celulares e afins. Então pensei:

– Que doenças atormentavam a infância e a adolescência da minha geração, nos anos 60 e 70,  e de tantas outras do passado?

Talvez uma inflamação no rosto, causada por uma espinha espremida.  Ou, quem sabe, uma passageira verminose, fruto da alimentação com as mãos mal lavadas – prontamente curada por um bom vermífugo caseiro.

Hipertensão precoce, com tantas e saudáveis opções de divertimento, com certeza, não existia.

Obesidade, devido à falta de atividade física, também não. Afinal, gastávamos toda nossa energia correndo atrás da bola,  carregando o carrinho de rolimã ladeira acima, após a “perigosa” descida, ou fugindo do pegador, nos piques de rua, entre tantas outras estripulias. Aliás, naqueles tempos, a preocupação de nossos pais quase sempre era outra:

– Menino, como você está magro! Larga um pouco essa bola e vem comer alguma coisa! Tem tomado direito o seu Biotônico Fontoura?

Stress na infância e adolescência daquela época era coisa que nem se ouvia falar. Aliás, nem conhecíamos essa palavra americanizada.

O que de pior podia acontecer e nos deixar emburrados, e não estressados, como a criançada de hoje quando a conexão sai do ar, era ficar de fora das peladas com a molecada do bairro.

Isso quase sempre acontecia quando arrancávamos a tampa do dedão do pé em alguma topada. Nada que não pudesse ser resolvido com a ajuda do providencial mercúrio cromo e um pedaço de pano para cobrir o ferimento.  Pelo menos até a próxima e dolorida topada dos pés descalços em alguma pedra ou toco, nos irregulares “estádios” de terra batida.

 

Victor Kingma