Victor
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Quando a calça LEE era o sonho de consumo

 

Naquele tempo era assim…

 

James deanAs últimas décadas têm sido marcadas pelas grandes mudanças nos hábitos e jeito de se vestir das pessoas, influenciadas, principalmente, pela massificação dos meios de comunicação como, por exemplo, a televisão. Assim, a jóia, roupa ou o tênis da moda usados pelos artistas, na novela da televisão, logo passam a ser cobiçados pelos jovens e adolescentes que não querem ficar fora da “onda”. É o modismo que invade nossas casas todos os dias.

Entretanto, para aqueles jovens que, como eu, viveram a juventude nos anos sessenta e início dos anos setenta, o grande sonho de consumo era ter uma calça LEE, importada dos Estados Unidos.

Se naquela época, no dia a dia, a vida da juventude consistia na simplicidade da vida no bairro, no colégio, nas matinês dos cinemas, o futebol nos campinhos de pelada ou nas diversas brincadeiras de rua, nos fins de semana, nos bailes ou domingueiras dançantes, usar uma calça LEE era sinônimo de status, bom gosto, um charme a mais para conquistar a namorada.

O jeans, popularizado por James Dean, no cinema, no final da década de cinqüenta, representava o ideal da juventude rebelde, transgressora, o cowboy do asfalto. Juventude que, com seus cabelos compridos e guitarra na mão, começava a transgredir os costumes vigentes na época, seja no jeito de se vestir, preparar seu drink com mistura de sabores, na música ou no comportamento contestador.

Hoje em dia, muitas são as opções dos jovens que querem usar roupas de uma marca famosa, até pela facilidade cada vez maior para adquiri-las. Entretanto, com certeza, nenhuma delas, por mais badalada que seja, terá o charme que tinha, na época, a velha e cobiçada calça LEE.

Victor Kingma

A época dos festivais

Naquele tempo era assim…

Jair_EliasNos meados dos anos 60, o Brasil viveu dois períodos distintos de sua história.  Se na política, nos chamados “anos de chumbo”, vivíamos um período de opressão, quando a ditadura militar impedia os jovens de   manifestarem suas opiniões, na música, o país passou por uma das fases mais ricas em termos de criação e surgimento de novos talentos.  Era o tempo dos festivais. E alguns acontecimentos foram marcantes nessa época de ouro da nossa música.

Em 1965, na extinta TV Excelsior, no Rio de Janeiro, interpretando Arrastão, a música vencedora, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, surgiria uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos: Elis Regina.

No ano seguinte, no festival da TV Record, em São Paulo, aconteceu a mais empolgante das disputas.  Duas músicas dividiram a preferência da crítica e do grande público: A Banda, de Chico Buarque, interpretada por Nara Leão, a musa da Bossa Nova; e Disparada, de Geraldo Vandré e Théo de Barros, na interpretação que marcaria para sempre a carreira do cantor Jair Rodrigues.

O júri, atendendo ao público dividido, acabou considerando as duas músicas vencedoras.

Em 1968, um dos anos mais duros da ditadura militar, a canção de protesto contra o regime: “Pra não dizer que não falei de flores”, de Geraldo Vandré, interpretada pelo próprio autor, apesar de ser disparada a preferida do público, foi preterida pelo júri do Festival Internacional da Canção, da TV Globo. Os jurados, muitos afirmam que por influência política, deram o prêmio para a canção Sabiá, de Antônio Carlos Jobim e Chico Buarque, cantada pelas irmãs Cynara e Cybele.

Posteriormente, a música de Geraldo Vandré foi censurada pela ditadura, sendo proibida a sua execução nas rádios e televisões. O autor foi exilado, passando um longo período fora do Brasil. Entretanto, a atitude autoritária não surgiu o efeito desejado e a canção passaria a ser o hino de protesto contra a ditadura militar, com seu forte refrão:

“Vem, vamos embora, que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.”

Recentemente, várias tentativas foram feitas para reativar os festivais, mas todas fracassaram.  Sempre faltou o brilho e empolgação de outrora.

Todos aqueles que gostam da música popular brasileira e que vivenciaram aquela fase de ouro, guardam, com saudades, as lembranças daquele tempo mágico, o tempo dos festivais.

Victor Kingma

 Foto:  Jair Rodrigues e Elis Regina. dois expoentes dos festivais daquela época.