Victor
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ataquefla

 

Ídolo, às vezes o herói improvável

Todos que convivem comigo sabem que sou rubro-negro de carteirinha, paixão que vem   de   longe,   desde  quando  eu  era  menino   na  fazenda, em Mantiqueira, lá pelo final dos anos 50.

A   influência   maior, como já relatei, foi da minha tia Luquinha,   que contrariando o hábitos das moças da época, gostava muito de futebol.

Desde aquele tempo acompanho sempre os jogos do clube. Me lembro bem que no início dos anos 60   a   linha   de   frente   do   Flamengo, como os narradores costumavam chamar, era   formada por Joel, Gerson, Henrique, Dida e Babá.

A   escalação   dos times era   assim,   com   cinco  jogadores  no ataque.  Isso  embora   o   meia   direita,   o  clássico camisa 8, no caso Gerson,   na prática  não era um atacante, mas o meia armador do time.

Embora os seus   companheiros   na   dianteira   do Flamengo naquele   ano   fossem  todos  jogadores  de  seleção – Henrique e Gerson estavam convocados e  Joel e  Dida fizeram parte do elenco que conquistou o primeiro título mundial para o Brasil, na Suécia, em 1958-, o ídolo da minha tia era o menos famoso de todos: o ponteiro esquerdo Babá.

Ela sempre costumava dizer: esse baixinho é infernal!

Até   colecionava revistas e  jornais onde aparecia o seu ídolo.

O futebol sempre   teve   craques consagrados, de geração pra geração, jogadores   idolatrados por uma legião de fãs.

Entretanto   existem   aqueles   que   embora não tão famosos ficam marcados para sempre na memória, às vezes de um único torcedor, devido   à   uma jogada, drible ou gol assinalado num jogo marcante da história do clube.

Nos tempos áureos das transmissões esportivas pelo rádio muitos ídolos eram até forjados   no   imaginário   do   torcedor   através das  narrações  vibrantes  de  suas jogadas pelos locutores da época, como certamente foi o caso da minha saudosa tia Luquinha.

No mundo do futebol a idolatria despertada por esses heróis, às vezes   improváveis,   sempre será fundamental para a manutenção dessa paixão popular, independente da forma ou motivo que os tornaram ídolos.

Muitos,  aliás,  jamais   vão   saber   dessa   idolatria,  como   certamente  Babá nunca soube.

A magia do jogo de bola tem dessas coisas.

Victor Kingma