Victor
Kingma
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.: Histórias e causos do futebol

Carlinhos e Gerson1

Gérson no Flamengo, a volta do Canhotinha.

Rubro-negro histórico, seu Tobias sabia tudo sobre o Flamengo. Podia, por exemplo, descrever  com  detalhes o  gol de Agustin Valido sobre o Vasco, no primeiro tricampeonato carioca do Flamengo, em 1944. Nas resenhas com seus contemporâneos o sorriso meio sacana admitia que o avante argentino tinha mesmo se apoiado nas costas do defensor vascaíno Argemiro para fazer o gol do título.

Recordava, saudoso, do ataque de meninos formado por Joel, Duca, Evaristo Dida e Zagalo, pela segunda vez tricampeões, em 1955.

Gostava de contar da ousadia do técnico “Feiticeiro” Fleitas Solich ao apostar todas as suas fichas no garoto alagoano Dida, autor dos quatro gols naquela decisão contra o América, vencida por 4 x 1.  Até porque o Flamengo, que havia vencido a primeira partida da melhor de três por 1 x 0, com gol de Evaristo,  tinha levado uma sonora surra de 5 x 1, na segunda partida da final.

Sua memória era uma autentica enciclopédia rubro-negra. Era capaz de se lembrar de cada título, das campanhas e até do apelido de cada jogador.

Sabia tudo da carreira do “Diamante Negro”, Leônidas, do “Doutor” Rubens, e de “Mestre Ziza”, o grande Zizinho, com quem, dizia, Pelé aprendeu muitas coisas.

Lembrava das matadas no  peito  de  Silva, “o  Batuta” , do gol com a cara na lama de  Almir, “o  Pernambuquinho” contra o Bangu, em 1966,  e do  gol de cabeça de  Rondineli,  “O Deus da Raça”, naquela decisão contra o Vasco, em 1978.

Até dos jogadores menos conhecidos que passaram pelo clube ele sabia o apelido, como o de Dionisio,  “Bode Atômico”, Rodrigues Neto, o  “Turíbio” e de  Merica,  o “Cabra de  Lampião”, volante que que não perdia uma dividida.  Dividiu era do Meriquinha! – Ele sempre dizia.

Apenas de um jogador ele não gostava muito do apelido. Achava que “Galinho” era pouco para Zico, o maior de todos.

Hoje, sentindo o peso da idade quase centenária, a memória já não é a mesma, e seu Tobias, às vezes, mistura a realidade com a fantasia, quando fala do seu time de coração.

Outro dia, sentado na sua inseparável cadeira de balanço, com cachecol preto e vermelho no pescoço para se abrigar do frio, parecia cochilar. Enquanto isso, seus netos, economistas, discutiam sobre o custo benefício do alto valor pago por Gérson, a nova contratação do Flamengo. De repente ele entra na conversa:

– Verdade o que vocês estão falando? O Flamengo contratou de novo o Canhotinha de Ouro?  Quer dizer que o Violino vai ter novamente seu companheiro de meio campo? Henrique e Dida vão se cansar de fazer gols novamente com os lançamentos do Canhota!

– Não vovô! ResponGerson.Dida e Henriquede os netos, entre risos. Esse é outro Gérson, aquele meia que jogou no Fluminense e estava na Itália.

Ai o velho rubro-negro, recuperando totalmente a lucidez:

– Que ótima notícia, meus netos! Não sei se esse menino é   mesmo bom de bola’ e quanto pagaram por ele, mas foi barato!

E com os olhos marejados de saudade, seu Tobias, que sabe tudo de bola, conclui:

Ter um Gérson no meio de campo de qualquer time do mundo soa muito bem aos ouvidos! Enriquece qualquer escalação!

 

Com  certeza, vai dar certo!

Victor Kingma

O mais bonito gol de Pelé

Historias do futebol

PeléJuventus

 

Pelé, o melhor  jogador e maior artilheiro da historia do futebol, marcou em toda sua carreira, oficialmente, 1283 gols.  O milésimo destes gols, marcado, de pênalti, no maracanã contra o Vasco, em 19 de junho de 1969, foi seguramente o mais esperado e festejado. Outro dos seus tentos, que  também se imortalizou, foi o famoso gol de placa, contra o Fluminense, em 1961, também no maior estádio do mundo, onde driblou toda a defesa do time carioca e encobriu o Goleiro Castilho com um leve toque por cobertura.

Entretanto, segundo o próprio Pele, o mais bonito de todos os seus gols, aconteceu em 1959, contra o Juventus, na Rua Javari, em São Paulo. Poucos são os registros sobre este jogo e não existe nenhuma filmagem que se tenha notícia.

Muitos jornalistas e torcedores sempre afirmam que assistiram ao jogo e presenciaram o famoso gol.  Na verdade, costuma-se brincar, que, se isto fosse verdade, não haveria espaço suficiente no pequeno estádio do bairro da Mooca, em São Paulo,  para abrigar tanta gente.

Leia o relato do lance por  um dos protagonistas da jogada, o zagueiro Clóvis, do Juventus (já falecido).

” Eram decorridos 36 minutos do segundo tempo e o Santos estava atacando para o gol dos fundos (aquele situado ao lado da Creche Marina Crespi). O ponteiro Dorval, recebeu um passe do meia Jair e cruzou. A bola passou por cima da grande área…

“Tira, tira, cabeceia”, gritei. Quando a bola desceu encontrou o Pelé. Sem deixá-la fugir, ele, com um leve toque por baixo da bola encobriu o zagueiro Julinho que chegava para dar combate e em seqüência deu um chapéu no Homero. Fui para cima dele e também tomei o meu. Faltava apenas o goleiro Mão-de-Onça, que saiu para abafar a bola. O Pelé também deu um chapéu nele e completou o lance de cabeça, com uma lucidez impressionante.

 O fato teve um lado até engraçado. Tinha chovido bastante de manhã e havia uma poça d’água na pequena área. O Mão-de-Onça pegou só barro. Ele ficou com a cara sobre a lama”.

Após o fantástico gol, uma cena de grande emoção tomou conta do estádio, com todos os jogadores e os torcedores aplaudindo a jogada magistral do maior jogador de todos os tempos.

Para completar, se não bastasse o gol genial, Pelé, que vinha sendo hostilizado pela torcida, corre em direção ao alambrado, dando saltos e socos no ar, imortalizando, naquele mesmo jogo, o gesto que o acompanharia por toda a carreira.

 Dados do Jogo:

 Santos  x   Juventus

Local:  Rua Javari

Data :    03/08/1959

Público: aproximadamente 10 mil torcedores

Renda:  Cr$ 622.225,00

Árbitro: Sebastião Mairinque

Primeiro tempo: Santos 1 x 0  (Pelé aos 23 minutos)

Final Santos 4 x 0 (Pelé, aos 8 e 36 e  Dorval aos 27 minutos).

 Times:

Santos: Manga, Ramiro, Pavão, Mourão e Formiga;

Zito e Jair;

Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe.

 Juventus: Mão-de-Onça, Julinho, Homero, Pando e Clovis;

Lima e Zeola;

Lanzone,  Buzone,  Cássio e Rodrigues.

Victor Kingma 

Fontes : Arquivo particular do autor e

Site Portal da Mooca.