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.: Histórias e causos do futebol

A súmula do árbitro Zé Gaveta

Causos da bola

ZéGavetaPartida memoravel  da liga Mantiqueirense.  O time de Mantiqueira, o Catauá, enfrentaria na final a  equipe do distrito vizinho de Passa Três. E novamente, o tradicional e esburacado estádio “Mantiqueirão”   seria o palco da grande decisão.

No grande dia a bola rola em clima de enorme tensão e desconfiança, pois os visitantes não se conformavam com a indicação do controvertido árbitro Zé Gaveta para apitar a  final.

Empurrado por sua fanática torcida, que lotava os morros da periferia, o Catauá , que precisava da vitória, joga o tempo todo no ataque, mas o gol  não sai.

Zé Gaveta, até que tenta dar uma mãozinha: em duas jogadas duvidosas dentro da área, marca pênalti.  Mas Feitiço, goleiro desprezado pelo Catauá e que estava atuando pelo adversário, se vinga e,  nas duas ocasiões, defende  espetacularmente as penalidades.

O Jogo, tenso,  se aproxima do fim e o Passa Três está com a taça nas mãos.  Entretanto, um acontecimento extra campo começa a preocupar os seus dirigentes: o coronel Sá Fuentes, o lendário fundador do Catauá, que devido à idade avançada já não freqüentava com tanta assiduidade os jogos, chega ao Mantiqueirão.  Montado em seu cavalo, traz, como era tradição dos Sá Fuentes, o  famoso trabuco 38 na cintura.

Informado de que o jogo estava acabando e que seu “amado time” ia deixando fugir o titulo, o coronel adentra a cancha montado no tordilho e disparando tiros  à torto e a direito.

Seguem-se quinze minutos de pânico total. Os jogadores, apavorados, fogem para o vestiário, e a partida, é interrompida.

A decisão fica em suspense até o dia seguinte, quando “Sua Senhoria”  entrega na sede da liga regional,  a súmula  esclarecedora.

Eis o relato “insuspeito” do árbitro Zé Gaveta:

“Aos 42 minutos do segundo tempo, com o placar em 0 x 0, a peleja teve que ser interrompida, pois a cancha foi invadida por um cavalo selvagem, que corcoveava, alucinado, e desferia coices para todo lado.

O Coronel  Sá Fuentes, que montava o quadrúpede, fazia de tudo para contê-lo, mais a besta fera mostrava-se indomável. Preocupado com a segurança dos jogadores o coronel ainda desferiu vários tiros para alertar os atletas  quanto à presença do feroz animal.

Registro ainda que alguns incidentes foram verificados e dois desses tiros de alerta acabaram furando uma das bolas e atingindo, por casualidade, o  pé do atacante Canhoteiro, do Passa Três.

Serenados os ânimos fui aos vestiários e chamei os times para jogarem os três minutos finais. Entretanto, como a equipe do Passa Três, “INEXPLICAVELMENTE” se negava a voltar a campo, dei como encerrada a contenda e registrei a consequente   vitória do Catauá, que assim se sagrou campeão, por causa do abandono do campo por parte do adversário.”

 

Victor Kingma

Do livro Dali o Joca Não Perde

 

 

 

Joca, o craque infalível

Causos da bola

Joca o craque infalivel (2)

Finalíssima de campeonato no interior mineiro e o time da casa precisava desesperadamente da vitória. O empate daria o título ao arquirrival.

Para piorar as coisas, um problemão: Joca, o grande craque da região, o Pelé da época, muito gripado, não podia jogar. A pedido do técnico fica no banco de reservas, apenas para intimidar o adversário.

Rola a bola e o jogo é tenso, fechado, nada de oportunidade de gol para nenhum dos times.

Já, no finalzinho, o técnico, em desespero, chama o Joca e pede:
Vai pro sacrifício, meu craque! É tudo ou nada. Só você pode nos salvar!

E o nosso herói entra em campo, aos 41 minutos do segundo tempo. Aos 44, em um contra- ataque, o ponta direita Fumaça vai ao fundo e cruza: Joca mata a bola no peito, tira o beque da jogada e dispara…

A torcida se levanta, os locutores enchem os pulmões para gritar gooool!…

De repente, os refletores do estádio se apagam… Ninguém consegue ver a conclusão do lance…

Pânico geral, somente cinco minutos depois as luzes começam a voltar… Em meio à confusão, a bola sumiu.

E, afinal, o que aconteceu?

Sereno e impassível, o juiz se dirige para o centro do gramado…

Os repórteres o cercam:

- O que foi, seu juiz?

E ele, com toda a segurança:  GOL!

Mas ninguém viu a bola entrar após o chute do Joca, argumentam os repórteres atônitos e os adversários enfurecidos…

E o juiz, com a maior calma:

- Vocês que acompanham futebol sabem muito bem:

“DALI, O JOCA NÃO PERDE!”

Victor Kingma