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.: Histórias e causos do futebol

 Histórias do futebol
          Charles Miller                                                                                                                                                                                                                                                                                                          De volta ao Brasil em 1894, após uma década de estudos na Inglaterra, o paulistano do Brás, filho de pai escocês e mãe descendente de ingleses, Charles Miller, então com 20 anos, desembarcou do navio em Santos, no litoral paulista, trazendo duas bolas, uma agulha, dois uniformes e um sonho: montar um time de football (bola no pé) em seu país.Durante a sua temporada na Europa apaixonou-se por este jogo, tornando-se, inclusive, o melhor jogador do seu colégio. Há registro de que marcou 41 gols em 25 partidas no campeonato colegial.Entretanto, logo nos primeiros contatos com os amigos após o retorno, surpreendeu-se pelo fato do esporte ser totalmente desconhecido por aqui.Dedicou-se então a divulga-lo, principalmente para os seus companheiros de trabalho na Companhia de Gás, do Banco de Londres e da Ferrovia São Paulo Railway.Organizada por Charles Miller, a primeira partida do agora “abrasileirado” futebol disputada no Brasil aconteceu em 1894, entre os funcionários da Companhia de Gás x Cia Ferroviária São Paulo Railway. Os ferroviários venceram por 4 x 2. Miller atuou, mas não se sabe se marcou gol neste jogo.

E o novo esporte, introduzido por Miller, começou a fazer grande sucesso entre os jovens da época.

O primeiro clube a adotar a prática do futebol no Brasil foi o São Paulo Athletic Clube, formado em sua maioria por britânicos residentes em São Paulo. Já o primeiro campeonato aconteceu em 1902. Charles Miller atuando como atacante do Athletic Clube, foi o artilheiro com 10 gols, em nove partidas.

Miller era um craque. Suas jogadas encantavam os torcedores e foi ele o primeiro jogador a dar um passe de calcanhar. Essa jogada, inclusive, recebeu o nome de “Charles” – mais tarde “Chaleira”, em sua homenagem. Jogou futebol até 1910 e após encerrar a carreira ainda atuou como árbitro.

Charles Miller morreu em 1953, aos 79 anos, coberto de glórias, mas, talvez, um pouco frustrado por não ter visto o Brasil ser campeão do mundo no esporte que ele introduziu no país, devido á trágica derrota para o Uruguai, em 1950.

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“El Milagrero”

elmilagrero

Memorável partida da liga  Mantiqueirense,  na Zona da Mata mineira.  O time local, o Catauá, após vários anos de espera, e mesmo com time modesto, estava na final.  Para tanto, o Coronel Sá Fuentes, o lendário presidente do clube, teve que trazer de fora, e a peso de ouro, o técnico paraguaio Horácio Miranda, “El Milagrero” , como era conhecido, devido ao fato de reverter resultados impossíveis após suas preleções no intervalo dos jogos.

Entretanto, naquela decisão nem santo parecia dar jeito para o Catauá: mesmo atuando em casa e precisando apenas do empate, jogava com apatia e já no primeiro tempo perdia por 3 x 0.

Portas fechadas no vestiário, “El Milagrero” reúne os jogadores e tenta motivá-los para a reação impossível.

Passados os 15 minutos do intervalo, o time volta para o segundo tempo com uma modificação ousada: o esforçado centroavante Dinho no lugar de Duda, o astro do time, que tivera atuação apagada.

E “El Milagrero” parecia que ia operar mais um de seus milagres: o time voltou voando após as suas “instruções”.  O substituto Dinho, então, apronta uma correria infernal. Com 20 minutos já tinha feito dois gols.  A torcida se empolga.  O empate era questão de tempo.

De repente, Dinho recebe uma bola em completo impedimento; o bandeirinha acena e o juiz apita a banheira…

Mas o avante não pára. Avança com a bola, chuta para o gol e sai vibrando como um louco, comemorando o gol que seria do título. Alucinado, pula o alambrado e vai festejar com a torcida, apinhada nos morros em volta do Estádio Mantiqueirão.

Somente ao virar-se para o campo, Dinho, ainda muito agitado, notou que o gol tinha sido anulado.

Por ter saído de campo para comemorar, o avante foi expulso e uma grande confusão se formou. O Catauá, jogando o restante do jogo com dez jogadores, acabaria perdendo a partida e o titulo.

Na segunda feira vazaria a notícia esclarecedora e o porquê do milagre não ter sido completo: “El Milagrero” cometeu dois equívocos que foram fatais: excedeu-se na dose do chá “batizado” servido ao atacante, e, pior ainda, esqueceu-se de lembrá-lo do aparelho auditivo que sempre usava nos jogos. Aliás, aparelho que lhe rendera o nome, que era uma derivação do apelido: SurDINHO…

 

Victor Kingma

Do livro “dali o Joca Não Perde.”