Victor
Kingma
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.: Histórias e causos do futebol

Com o sorriso na mãos

Causos da bola

Com o sorriso nas mãos Na véspera da decisão daquele ano uma coisa tirava o sono dos dirigentes do Passa Três F.C: a visita que seu goleiro Chico Boca Murcha faria ao consultório de Lico Miranda, o protético do lugar, para fazer a prova final da sua prótese dentária. A hora parecia imprópria. Afinal todos sabiam que o sonho do bravo Chico sempre foi colocar uma dentadura. Ainda mais que estava com o casamento marcado para breve. O que estava deixando os dirigentes com a pulga atrás da orelha era o fato do protético ser torcedor fanático do Sobradinho, o adversário da final. Até porque todo cuidado era pouco  nas decisões por ali.  Por outro lado, a conduta ilibada de seu arqueiro os tranquilizava.

No consultório, horas antes do jogo, Chico não se continha de alegria ao se ver no espelho com o sorriso novo. Alguns pequenos ajustes e pronto: era o fim da boca murcha. Contudo o goleiro levou um susto quando soube o quanto ia custar o seu sonho.

–  Mas, seu Lico,  tá muito caro! Não tenho como pagar tudo isso!

–  Pois é, caro ficou mesmo! Ainda mais que você pediu para colocar dois dentes de ouro.  Mas, não se preocupe, acho que  podemos dar um jeitinho. De repente a dentadura pode até sair  de graça.

–  De graça, seu Lico?

– Isso mesmo, goleirão! Amanhã não tem decisão entre os nossos times?  Durante o jogo é só lembrar do nome do seu. Se precisar, PASSA UM,  PASSA DOIS, PASSA TRÊS…  Pense direitinho. Seu sorriso está em suas mãos.

Final do jogo:  Sobradinho 3 x 2,  campeão!   PASSOU TRÊS.  Todos os gols em estranhas falhas do ex Boca Murcha que, coincidentemente, dias depois entrava na igreja para o casamento rindo de orelha a orelha com seu reluzente sorriso.

 

Victor Kingma

Do livro Dali o Joca Não Perde

Zagueiro Bravo

Causos da bola

Decisão Zagueiro bravode campeonato no interior e o time da casa precisava vencer para conquistar o título. Precavido e temendo alguma surpresa, o presidente do clube, coronel Neca Pereira, famoso cartola da região, escolheu a dedo o juiz e os bandeirinhas. Para os visitantes, reservou o vestiário ao lado do curral da fazenda, onde ficava o campo.

Sabendo que o adversário usaria sua tradicional camisa vermelha, mandou prender em local bem próximo à passagem dos jogadores, um feroz touro chamado Bravo, o terror das touradas da roça.

Logo ao pisar o gramado, os visitantes receberam as boas vindas do animal, que avançava ferozmente contra a tela de proteção, tentando chifrar aquelas camisas encarnadas.

E assim continuaria durante toda a partida. Sempre que alguém de vermelho se aproximasse da lateral, lá vinha a besta fera, bufando e chifrando o alambrado que separava o estábulo das quatro linhas.

Intimidado, o adversário parecia presa fácil. Aos 15 minutos, já perdia por 1 x 0. O jogo porém foi se arrastando, sem outros gols. Aos 44 minutos do segundo tempo, um cochilo do time da casa e, num contra-ataque, o ponta inimigo driblou dois e chutou: gol!!! Empatada a partida. Resultado que dava o título aos visitantes.

O arbitro, pressionado pelo poderoso cartola, ainda deu 10 minutos de prorrogação, mas o gol não saía. Então, chega à beira do gramado e avisa:

– Coronel, tenho que acabar o jogo. Seu time está perdido e não fará gol nunca…

Atarantado, o coronel vira-se para o técnico e ordena:

–  Esse título eu não perco… Vamos melar o jogo!

– Mas, melar como? Espanta-se o treinador…

E o coronel taxativo:

– SOLTA O BRAVO

Victor Kingma

Do livro Dali o Joca Não Perde