Victor
Kingma
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.: Histórias e causos do futebol

Didi_Garrincha

A   aula   da  saudade  do  “Mr. Football”

 

Assim que  terminou  o  treino  coletivo  naquele  grande clube,  o  treinador  reuniu os  seus melhores chutadores para  treinarem  cobranças de faltas.

Toda   uma infraestrutura, então, foi cuidadosamente montada:   barreira móvel,  bolas  novas,  escolha  do  melhor  angulo para os chutes, etc, etc.  Nada faltando para facilitar   a   vida   dos  “craques”.

Na beira do gramado um  senhor  magro  e esguio,  de cabelos  grisalhos,  calça  jeans e  tênis,  a tudo observava.

Iniciadas as cobranças, os chutadores vão se revezando nos chutes e após várias tentativas, sem muito sucesso, a bola toca na barreira e corre até a lateral do campo onde estava o velho senhor.

Esse, então, a levanta com o bico do tênis, faz duas embaixadas com surpreendente   habilidade,   a coloca debaixo do braço e se dirige, altivo como um príncipe’,  para dentro do gramado.

– Vai tentar também,  seu  Waldir?  – Brinca o jovem treinador.

O senhor de cabelos grisalhos ajeita carinhosamente a pelota no local da cobrança, dá quatro passos para trás, corre vagarosamente e a toca com incrível precisão.

A  bola  passa  sobre a barreira, descreve uma meia parábola e pousa suavemente na rede…

Como se fosse   uma   “Folha Seca”.

E   diante dos  olhares  incrédulos  daqueles jovens e milionários atletas, de cabelos e  chuteiras  coloridas, vai deixando lentamente o gramado.

Da   arquibancada,  um velho e solitário torcedor, como se assistisse a um vídeo tape do passado, exclama eufórico:

–   VALEU   DIDI!

 

PS:  Waldir  Pereira,  o  grande  Didi,  o inventor da “Folha Seca,  foi o maestro e o ponto de equilíbrio de uma seleção que tinha Nilton Santos, Garrincha e Pelé, entre tantos outros craques consagrados.  Eleito o melhor jogador da copa do mundo de 1958, na Suécia,  foi aclamado pela imprensa internacional como “Mr. Football.”

Ídolo das torcidas do  Fluminense  e  Botafogo, onde viveu seus melhores momentos na carreira,   nasceu em Campos dos Goytacazes em 08 de outubro de 1928 e faleceu no Rio de janeiro,  em  12/05/2001, aos  72 anos,  poucos  dias  após  essa  homenagem ser escrita.

 

Victor Kingma

 

O Técnico Motivador

 Tecnico motivador

O treinador Tico Santana era um folclórico técnico do interior mineiro. Se o apelido vinha da infância, o sobrenome ele herdou da idolatria que tinha por Joel Santana. Imitava o Papai Joel em tudo, desde a prancheta até o jeito paternal e peculiar de motivar seus atletas.

Certa vez, numa decisão da liga local, parecia que Tico Santana ia colocar mais um título em seu extenso currículo. Prancheta debaixo do braço e aos gritos à beira do campo, motivava o time que, retrancado, segurava o 0 x 0 que lhe daria o campeonato.

De repente, faltando cinco minutos para o final do jogo, acontece o imprevisto: o goleiro paraguaio Paredes, que pegava tudo, sofre séria contusão e tem que ser substituído. O problema é que seu substituto, o reserva Rebote, como o próprio nome sugeria, não era nada confiável para agarrar as bolas.

Suando em bicas mas tentando manter a fleuma, o velho Santana tenta motivar seu limitado guarda metas com palavras de ordem:

– Vai lá, campeão! O título agora está em suas mãos! Eu confio em você!

– O senhor acha que estou preparado, professor? – Indaga o assustado Rebote.

– Preparadíssimo, meu filho! Vai lá que o título é nosso!

Assim que o jogo reinicia, contudo, o bravo Tico Santana se vira para seus jogadores, descontrolado, joga a prancheta pro alto, e, aos berros, com as mãos na cabeça, grita:

– Pelo amor de Deus, não deixem chutar no gol de jeito nenhum!!!

 

Victor Kingma