Victor
Kingma
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.: Histórias e causos do futebol

 

O craque infalível

Causos da bola

Joca o craque infalivel (2)

Finalíssima de campeonato no interior mineiro e o time da casa precisava desesperadamente da vitória. O empate daria o título ao arquirrival.

Para piorar as coisas, um problemão: Joca, o grande craque da região, o Pelé da época, muito gripado, não podia jogar. A pedido do técnico fica no banco de reservas, apenas para intimidar o adversário.

Rola a bola e o jogo é tenso, fechado, nada de oportunidade de gol para nenhum dos times.

Já, no finalzinho, o técnico, em desespero, chama o Joca e pede:
Vai pro sacrifício, meu craque! É tudo ou nada. Só você pode nos salvar!

E o nosso herói entra em campo, aos 41 minutos do segundo tempo. Aos 44, em um contra- ataque, o ponta direita Fumaça vai ao fundo e cruza: Joca mata a bola no peito, tira o beque da jogada e dispara…

A torcida se levanta, os locutores enchem os pulmões para gritar gooool!…

De repente, os refletores do estádio se apagam… Ninguém consegue ver a conclusão do lance…

Pânico geral, somente cinco minutos depois as luzes começam a voltar… Em meio à confusão, a bola sumiu.

E, afinal, o que aconteceu?

Sereno e impassível, o juiz se dirige para o centro do gramado…

Os repórteres o cercam:

- O que foi, seu juiz?

E ele, com toda a segurança:  GOL!

Mas ninguém viu a bola entrar após o chute do Joca, argumentam os repórteres atônitos e os adversários enfurecidos…

E o juiz, com a maior calma:

- Vocês que acompanham futebol sabem muito bem:

“DALI, O JOCA NÃO PERDE!”

Victor Kingma

 

CABRA MENTIROSO

 

Causos da bola

Cabra mentiroso

Chico Cabra foi um folclórico goleiro do interior nordestino. Depois que pendurou as chuteiras vivia de bar em bar contando as façanhas do seu tempo de jogador.

Cerca vez, entre uma cerveja e outra paga pelos amigos, que sempre colocavam pilha para vê-lo exagerar nas lembranças de suas proezas, Chico Cabra recordava a maior atuação de sua carreira.

Segundo ele, foi numa decisão do campeonato local, contra o grande rival da época. Seu time jogava pelo empate para ser campeão.

–  O time deles era um timaço e atacava o tempo todo, mas eu, numa tarde de gala, fechava o gol. Já havia defendido três pênaltis na partida. Vangloriava- se o ex- goleiro, incentivado pelas cervas geladas. E prosseguia:

–  O jogo estava 0 x 0 até o  último minuto, e a torcida do meu time já comemorava o  título, quando o juiz marcou a quarta penalidade contra nós. Por azar, agora o cobrador era Quarenta, o maior chutador de todos os tempos no Agreste. E descreve o lance:

–  Quarenta tomou longa distancia e disparou um torpedo no angulo.

–  E aí você pegou o quarto pênalti? Provoca um dos presentes, em meio às gargalhadas da turma, já prevendo outra bravata do bravo Chico.

–  Quase! Voei como um gato e cheguei a tocar na bola, mas o cara chutava demais. Não teve jeito, foi gol. Se eu dissesse que peguei o pênalti os amigos até podiam pensar que sou de contar vantagem.

–  Que pena! Então  apesar da sua grande atuação seu time acabou perdendo o título?  Indaga, decepcionado, um dos amigos.

–  Por pouco! Só não perdemos porque na saída de bola teve um escanteio a nosso favor.  Fui à área, subi mais que todos os grandalhões da defesa deles e, de cabeça, consegui fazer o gol do título.

Vixe!  Goleiro pegar três pênaltis numa decisão e ainda fazer o gol do título…

Êta Cabra mentiroso!