Victor
Kingma
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.: Histórias e causos do futebol

 

 

Polvofutebol-300x250 (1)

Artilheiro Implacável

No campeonato  entre os animais das Florestas do Norte e do Sul, as regras eram claras e somente os animais quadrúpedes poderiam participar, para que houvesse igualdade na disputa. Contudo, na partida decisiva, uma inovação foi introduzida para motivar a disputa:  cada equipe poderia escalar um animal (jogador) fora destes padrões, vindo de qualquer lugar.

Começa o jogo e enquanto a Floresta do Norte que, jogava em casa, aparece em campo sem nenhuma novidade, a equipe do Sul escala como  centroavante, o POLVO, que, com seus oito tentáculos, não desperdiça uma bola jogada na área – e começa a fazer  uma infinidade de gols. No fim do primeiro tempo o placar já apontava 10 x 2 para os visitantes.  A torcida se desespera e apenas o técnico local mantém uma calma surpreendente.

É que a surpresa estava guardada para o segundo tempo: sua equipe finalmente utiliza o reforço permitido. Volta a campo com a CENTOPÉIA comandando o ataque. E logo os gols começam a sair, de  tudo quanto é jeito:  de primeira, de voleio, de frente, de costas, de bicicleta, de calcanhar, de letra etc, etc…Para delírio da torcida.

Final do jogo:  30 x 15  para a Floresta do Norte.

Impressionados com a performance do atacante,  os repórteres indagam ao técnico:

– Não te entendemos!  – Com um reforço como  este,  porque você não o lançou desde o inicio  do jogo?

– Bem que eu queria, mas não podia… Ele passou todo o primeiro tempo calçando e amarrando as chuteiras!

 

Victor Kingma

O futebol ou a pipa?

 

Causos da bola

Craque no cerol

Naquelas duas cidadezinhas do interior, a rivalidade era grande e as disputas entre os dois principais times monopolizavam toda a população. E naquele domingo não se falava em outra coisa, pois seria a final do campeonato.

De um lado, a defesa menos vazada, com destaque para o goleiro “Paredão”. Do outro, um ataque arrasador, com o artilheiro “Leo Cerol”, conhecido pela velocidade impressionante. O apelido vinha da paixão que tinha pelas pipas, seu hobby predileto.

Domingo de sol, enquanto a maior parte da garotada se juntava nos campos, era comum vê-lo correndo pelas pastagens atrás das pipas que cortava com o cerol que ele mesmo fabricava. Nada lhe dava mais prazer.

Para o grande jogo, um problemão: a final do futebol coincidia com um torneio de pipas, tradicional na cidade. Duro era convencer o nosso craque a jogar a  partida. E numa reunião da qual participaram até o prefeito e o vigário, conseguiu-se, enfim, que ele trocasse as pipas pelo jogo, tão importante para a comunidade.

Chega o grande dia e numa partida truncada, o empate por 0 x 0 se arrasta. “Leo Cerol” parece disperso, olhar perdido no horizonte. De repente, o zagueiro dá um chutão e a bola é toda da defesa adversária. Nosso craque inicia então um de seus piques alucinantes…

A torcida se levanta, os locutores se preparam para gritar gol. Leo Cerol passa como um raio pela intermediária, atravessa o campo como um foguete, toma a dianteira na corrida contra os zagueiros… Passa pela bola, atravessa a linha de fundo e…

Diante do olhar estarrecido de todos, pula o alambrado a tempo de chegar segundos na frente da garotada que corria atrás de uma imensa pipa colorida.

Do livro Causos da bola