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Mascote de Causos da Bola(reduzida)

CRAQUES DA CASERNA

Aqueles dois recrutas de um pequeno quartel do interior mineiro, tipo “Tiro de Guerra”, estavam eufóricos: haviam sido pré-selecionados para a seleção estadual do exército.

Se aprovados nos treinamentos passariam uma temporada no quartel central, na capital, se preparando para o campeonato nacional das corporações.

Afinados dentro e fora dos gramados os primos Zequinha e Euzébio, confirmando a fama de craques que tinha ultrapassado as fronteiras de sua cidadezinha, logo começaram a se destacar nos treinamentos. E passaram a ser a grande esperança do time da tropa, deixando encantando o Tenente Frota, o técnico…

Entretanto havia um grande problema a ser superado: o rígido comandante do batalhão não permitia que nenhum soldado jogasse na seleção se primeiro não passasse por um teste cívico.  Aquele que apresentasse falta de patriotismo seria dispensado.

Se para Zequinha esse problema não existia, pois, disciplinado e apaixonado pela caserna, sabia tudo das normas militares, para Euzébio era uma tortura, pois desligado e pouco apegado a regras e livros, pouco sabia.  O seu descaso com o estudo, aliás, lhe rendeu o apelido que trazia desde os tempos do grupo escolar: “Zé Colinha”.

No dia do teste cívico, começa o pesadelo.  Zequinha é o primeiro a ser argüido pelo comandante:

– Soldado, como se chama esse lugar onde estamos?

– É o quartel, capitão!

– Não é só o quartel, soldado! Fique sabendo que isso aqui agora é sua casa!

– Como se chama a roupa que você está vestindo?

– É a farda, comandante!

– Não é só a farda, recruta! Isso agora é a sua pele.  E continua a argüição:

– Qual o nome daquilo que está hasteado ali no mastro?

– É a Bandeira Nacional, comandante!

– É muito mais que a Bandeira Nacional, soldado! Aquilo ali é a sua MÃE!

O segundo a ser entrevistado é Euzébio, o Zé Colinha, que, ouvido em pé, ouviu tudo que o comandante, em voz alta, comentava:

– Soldado, como se chama esse lugar em que estamos?

– É o quartel, mas agora também é a nossa casa, né, comandante!

– Parabéns, soldado!

– E como se chama essa roupa que você está vestindo?

– Isso agora é nossa pele, capitão!

– Muito bem, meu craque!  Você é um exemplo de civilidade. É de soldados assim que estamos precisando aqui no quartel.

– Acho que nem devia te perguntar mais nada, mas, para terminar, o que é aquilo que está pendurado ali no mastro?

– E tia Zefa, MÃE do Zequinha, comandante!

Pano rápido…