Victor
Kingma
header
header
Facebook
Visitante nº: 61257
< Voltar

Morcego no gramado

 

Causos da bola

A pacata cidade  a-ira-do-morcegode  Jacutinga do Norte, amanheceu em festa naquele domingo, pois seria  finalmente inaugurado o estádio regional, antigo sonho dos moradores do lugar. Até  a acirrada rivalidade entre os dois principais times, o Jacutinga e o Barro Preto foi esquecida. Tudo era só confraternização e, para incentivar este clima de cordialidade, uma seleção com os melhores jogadores da região foi formada para enfrentar o time misto, de um grande clube da capital.

Agustin, mais conhecido pelo apelido de “Morcego”, com   1 metro e 98 de altura, era uma figura folclórica e o torcedor mais conhecido do Jacutinga. Bandeira na mão, sempre era um dos primeiros a chegar para assistir aos jogos.  Entretanto, sua presença nos campos sempre foi  motivo de preocupação. -Tudo por causa de uma particularidade: ficava possesso quando o chamavam ou insinuavam alguma coisa que lembrasse o apelido.  Não foram poucas as confusões que se meteu com as torcidas adversárias, principalmente nos dias do famoso clássico  “Jacu Preto” , acirrados prélios entre  Jacutinga x Barro Preto.  Nestes dias, para provoca-lo a torcida rival costumava entoar em côro,  o refrão: “Morcego, Morcego”!   Sujeito muito alto e forte, costumava quebrar tudo e nem a polícia conseguia detê-lo.

Não batia muito bem das idéias  e só uma coisa o fazia esquecer um pouco do futebol:   a paixão que tinha  por  revistas em quadrinhos. Com  os gibis  esquecia de tudo, virava uma criança e ficava horas lendo, dócil e calmo…

E chega o grande momento! Com o palanque cheio de autoridades e convidados, tudo era só alegria, mas a presença do problemático torcedor no estádio deixava apreensivos os organizadores, o prefeito e até o vigário local que também se fazia presente.  Apesar de ser uma partida festiva, –  e se algum agitador  o chamasse pelo apelido?    Seria  o caos!

Mas logo, logo, um destes puxa sacos de palanque, resolve agir para tranquilizar as autoridades: chama o filho e o manda  dar alguma revista para  “distrair”  o bravo Morcego e o deixar mais calmo durante o jogo.

– Diz pra ele que é presente do prefeito.   Ordena, para bajular ainda mais.

E tudo parecia resolvido.  Terminados os discursos e  descerrada a placa de inauguração do estádio, a bola rola e tudo é festa…

De repente um tumulto…

“Agustin Morcego”,  mais furioso que nunca, pula o alambrado, invade a cancha e se dirige aos berros em direção ao palanque onde se encontrava as autoridades, derrubando tudo que encontrava pelo caminho…

A polícia não consegue detê-lo. Todos correm para segura-lo…

A balburdia é geral!   Corre corre  pra todo lado…

Ao ver o riso  meio sem graça do filho ao lado, desconfiado, o puxa saco  pergunta:

– Meu filho, você não fez o que lhe pedi?

– Claro que fiz, pai! Dei um gibi pra ele, e falei que era presente  do prefeito…

– Qual gibi?

O  encapetado Juquinha, não conseguindo mais disfarçar  o riso sacana,  arremata:

– BAT MAN!!!

 

Victor Kingma – do livro “Dali o Joca Não Perde

Charge: Eklisleno Ximenes