Victor
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A chave da casa de minha mãe

Naquele tempo era assim…

 

Chave na portaNos dias de hoje os jovens ou adolescentes quando saem à noite para ir a algum baile ou programa que termine mais  tarde, normalmente levam consigo uma copia da chave de sua casa. Sinal dos tempos “modernos”.  E os pais têm  mesmo é que se adaptar à nova realidade.

Passei a juventude em Juiz de Fora, nos anos 60 e 70. E jamais tive cópia da chave de minha casa.  E não era porque  minha mãe não permitia.  Mas, porque não fazia o menor sentido.  Qualquer que fosse a hora que eu ou o meu irmão  José chegássemos da rua, ela estava acordada, nos esperando.  Bastava um pequeno toque na porta, que ela logo vinha  abrir, sempre com o semblante de alivio e felicidade.  Não me lembro de, alguma vez, ser necessário tocar a  campainha, de madrugada, e assim, acordar os irmãos mais novos.

Jamais fomos repreendidos quando excedíamos em algum drink, batida ou cuba libre, nos bailes ou comemorações com os amigos, como era costume na época.  A repreensão vinha de nós mesmos, por acharmos que a tínhamos decepcionado.

A sabedoria no silêncio de minha mãe abrindo a porta, mesmo morrendo de sono, sempre foi o nosso corretivo. Sem gritos, ou qualquer gesto agressivo.  Aliás, jamais a vi praticar qualquer ato de agressividade com alguém.

Minha mãe Carolina, Dona Lina, como todos a conheciam, um exemplo de pessoa generosa e solidária, partiu ha 5 anos,  após  88 anos de vida.  Deixou um imenso vazio em todos nós.

Estou com muita saudade de você, minha mãe. Mas a vida continua. Descanse em paz.  Como eu gostaria que fosse a senhora que viesse abrir a porta para mim, quando nos encontrarmos um dia, na casa onde esta morando agora.

Victor Kingma