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A Oficina do Tião Sapateiro

UMA PEQUENA OFICINA…Capaoficina.

Durante mais de uma década, nos anos 60 e 70, uma pequena oficina de consertos de calçados, localizada na esquina das ruas Moraes e Castro com Barão de São Marcelino, em Juiz de Fora, Minas Gerais, na divisa dos bairros Alto dos Passos e São Mateus, representou papel importante na minha vida e na minha formação.

A Oficina do Tião Sapateiro era o ponto de encontro no bairro. Uma espécie de território livre, frequentado por estudantes, policiais, militares, comunistas, sambistas, roqueiros, ex-combatentes, contadores de histórias, caçadores, pescadores e tantos outros mentirosos.

Seu Tião, como carinhosamente chamávamos o velho sapateiro, era uma espécie de pai, conselheiro, guru e professor de todos. Professor, não pela formação acadêmica, pois se tratava de uma pessoa de pouco estudo, mas sim pelas lições de vida que passava para todos nós.

Uma velha poltrona, espremida entre o balcão e a banca de sapateiro, quase nunca era vista desocupada: se ora era motivo de descanso ou de um bom papo, às vezes funcionava como um divã, tendo o nosso velho mestre como analista, sempre com palavras de solidariedade e otimismo. Recordo-me bem que, aos 15 anos, após perder prematuramente meu pai, foi na oficina do Seu Tião que muitas vezes me refugiei em busca de uma palavra de conforto.

Assim como a profissão de Sapateiro está chegando quase à extinção, figura íntegra e ímpar como aquela quase não se encontra mais.

Eu, que desde cedo me tornei um contador de histórias, quero, em boa parte deste livro, que conta um pouco de minha vida, da infância na pequena Mantiqueira e da juventude em Juiz de Fora, prestar uma homenagem a essa grande figura, e a tantos amigos e personagens que freqüentavam a saudosa oficina, intercalando passagens interessantes de suas vidas.

Victor Kingma,

Outono de 2003

Editora: Fábrica de livros